FLAVIO DE CARVALHO
Flávio Resende de Carvalho (Amparo da Barra Mansa, Rio de Janeiro, 1899 - Valinhos, São Paulo, 1973). Pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, decorador, escritor, teatrólogo, engenheiro. Muda-se com a família para São Paulo em 1900. Em 1911, passa a estudar em Paris e, três anos depois, na Inglaterra, onde, em Newcastle, em 1918, inicia o curso de engenharia civil no Armstrong College da Universidade de
Durham e ingressa no curso noturno de artes da King Edward the Seventh School of Fine Arts. Conclui o curso de engenharia em 1922 e nesse ano volta a residir em São Paulo, onde chega logo após a realização da Semana de Arte Moderna.
OBRAS:
- Conjunto de casas
Erguidas de 1936 a 1938, as dezessete casas distribuídas entre a alameda Lorena e a
Alameda Ministro Rocha Azevedo tinham como objetivo a formação de uma sociedade “moderna”, para os padrões do início do século passado. Com 100 metros quadrados de área construída, as unidades possuem cômodos pequenos: a intenção era estimular a convivência no espaço público.
No folheto de divulgação do empreendimento, há até um “manual” de como habitar as residências de forma correta. Entre as dicas, o artista vanguardista sugeria o uso de móveis que ocupassem pouco espaço, “pois são mais estéticos, confortáveis e
higiênicos”. A ideia vingou entre a classe intelectual — a escritora Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, foi uma das inquilinas —, mas falhou em atrair a atenção de famílias paulistanas.
No começo dos anos 40, o idealizador do projeto se viu obrigado a vender o complexo.
Entre as décadas de 50 e 60, a edificação mais emblemática do pedaço, instalada na esquina, acabou sendo demolida para dar lugar a um prédio residencial. Nos anos seguintes, as outras unidades sofreram alterações com a instalação de portões, vedação de aberturas e reposição de janelas.
- Fazenda Capuava
Em 1938, em Valinhos, perto de Campinas, o arquiteto construiu em sua propriedade pessoal a Fazenda Capuava. A casa foi construída como uma mistura única de formas pré-incas na escala de uma mastaba - uma tumba egípcia monumental - com uma grande entrada central. Dentro do salão, cortinas multicoloridas cria uma relação entre o jardim e o espaço polivalente. A sala foi decorada com peças personalizadas por Flávio de Carvalho, além de elementos cuidadosamente selecionados, como máscaras, objetos rituais e lanças expostas nas paredes. A casa exibe características como um teto de 18 metros de comprimento, ao longo do qual corre uma tira de alumínio que reflete e amplifica o efeito da luz durante o dia.
- O farol de Colombo
O Farol de Colombo seria construído em São Domingos, em memória a Colombo em celebração à chegada dos europeus na América, promovida pela União Panamericana
Foi promovido um concurso internacional muito concorrido e que Flávio de
Carvalho ho ficou numa posição destacada, como se pode constatar no artigo a seguir, cuja manchete noticia a presença, no Rio de Janeiro, dos componentes do júri do concurso, entre os quais Frank Lloyd Wright (1869– 1959), o grande arquiteto norte-americano.
Ao concurso organizado para a construção do Farol de Colombo, concorreram da primeira vez cerca de 1100 arquitetos de todo o mundo, sendo apreciados cerca de 450 trabalhos, que foram expostos em Barcelona, quando aí se realizava a grande exposição de 1929. No meio desses numerosos trabalhosos, figuravam o de três arquitetos nacionais, entre os quais o de Flavio de Carvalho que foi apreciado em seu justo valor, interessando grandemente os técnicos organizadores do concurso.




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