PAULO MENDES DA ROCHA
Paulo Mendes da Rocha (1928) é um arquiteto brasileiro. Premiado com o Leão de Ouro, pelo conjunto de sua obra, na Bienal de Arquitetura em Veneza, na Itália, é o primeiro brasileiro a receber a distinção.
Paulo Archias Mendes da Rocha (1928) nasceu em Vitória, Espírito Santo, no dia 25 de outubro de 1928. Em 1954 formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, cidade na qual se consagrou.
Em 1958 venceu o concurso para elaboração do projeto do Ginásio do Clube Atlético Paulistano, obra que lhe valeu o Grande Prêmio Presidência da República na VI Bienal Internacional de São Paulo, em 1961.
Nesse mesmo ano, passou a lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Convidado por João Batista Vilanova Artigas encabeçou a chamada Escola Paulista de Arquitetura, que destacava o papel social e humanista do arquiteto. Realizou diversos projetos de escolas para a rede pública. Em 1962 projetou a sede social do “Jockey Club de Goiânia”.
Em 1968, junto com Artigas e Fábio Penteado realizou o projeto do “Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado”, o Parque Cecap, em Guarulhos, para 50 mil moradores. Em 1969, com o Ato Institucional nº 5, é afastado da Universidade.
Em 1970, Paulo Mendes da Rocha vence o concurso para o projeto do “Pavilhão Oficial do Brasil na Expo 70”, em Osaka, no Japão. Em 1971 esteve entre os finalistas premiados no concurso internacional para o anteprojeto do “Centro Cultural Georges Pompidou”, em Paris. Em 1980, depois da anistia, Rocha é reintegrado ao quadro da universidade, onde leciona até 1999, quando se aposenta.
Entre seus projetos destacam-se o “Museu Brasileiro de Escultura” (1988), a reforma da “Pinacoteca do Estado de São Paulo” (1993), o “Centro Cultural da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo” (1996), o “Museu da Língua Portuguesa” (2006), o projeto das novas instalações do “Museu Nacional dos Coches”, na zona de Belém, em Lisboa etc.
Em 2006, Paulo Mendes da Rocha venceu o Pritzker, o maior reconhecimento mundial em sua área. No dia 28 de maio de 2016 recebe o “Leão de Ouro”, pelo conjunto de sua obra, na Bienal de Arquitetura de Veneza, na Itália. Ele é o primeiro brasileiro a receber a distinção. Para os diretores da Bienal, “o atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade”.
OBRAS:
- Ginásio do Clube Atlético Paulistano

Uma plataforma habitável semienterrada, cuja cota superior estaria posicionada a meia altura em relação ao transeunte da Rua Colômbia, abriga boa parte do programa solicitado e pode ser entendida como uma continuação do piso urbano, qual praça semi-elevada e aberta, possibilitando franco acesso às arquibancadas do ginásio coberto; desde o clube, a praça é também mirante, terraço que devolve ao uso comum a área livre e aberta anteriormente existente e agora ocupada pelo ginásio, realizando assim o entendimento corbusiano do teto-jardim como instrumento de recuperação urbana do espaço privativamente ocupado da cidade.
No projeto apresentado ao concurso, acima dessa plataforma-praça habitável situa-se, além da cobertura do Ginásio, uma outra, retangular, estreita e mais baixa sob a qual se abrigaria um jardim de infância, com acesso pela praça e voltada para a lateral da rua Honduras. A praça prolongava seu perímetro no lado nordeste numa concordância em 45º voltada para o espaço aberto dos demais equipamentos existentes no clube, providenciando uma arquibancada para as canchas de tênis; outro chanfro no lado sudeste acomodava algumas árvores em continuidade ao edifício-sede existente.
https://www.archdaily.com.br/br/01-139826/classicos-da-arquitetura-ginasio-do-clube-atletico-paulistano-slash-paulo-mendes-da-rocha-e-joao-de-gennaro
Um edifício inteiramente em concreto aparente. Sua estreita fachada principal é marcada por uma sequência de toldos curvos e floreiras de seção triangular ambos em concreto aparente, intercalados por superfícies transparentes de vidro e faixas opacas de concreto.
O toldo de concreto está posicionado na porção superior de cada um dos treze pavimentos-tipo. Dois terços da sua curva são externos e um terço avança ao interior apartamento. Acima dele há uma estreita esquadria de vidro. Abaixo do toldo e protegida por ele, está a esquadria principal, maior. Abaixo dela está a floreira de seção triangular, que também avança ao interior do apartamento. Seguida por mais uma faixa inferior de esquadria de vidro, cuja altura é um quarto da altura da esquadria maior.
Assim, a fachada é composta por treze conjuntos idênticos compostos por: uma faixa de concreto, que corresponde à espessura da laje, uma esquadria inferior, floreira de concreto, esquadria principal, toldo de concreto e esquadria superior. Esse conjunto ocupa quase a largura total da fachada.
A história do Butantã, região onde a casa se encontra, remonta ao ano de 1566, quando foi concedida uma sesmaria a Jorge Moreira e Garcia Rodrigues, na paragem conhecida como Uvatantan. Em 1602 há registros dessa propriedade como pertencente a Afonso Sardinha, com o nome de Ubatatá, termo tupi que significa “terra dura”. Posteriormente foi feita a doação de seus bens à Capela de Nossa Senhora das Graças da ordem dos jesuítas.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, a área foi a leilão e pertenceu a vários proprietários, tendo sido adquirida por Eugênio Vieira de Medeiros em 1875, sendo conhecida na época com o nome de “Rio Abaixo dos Pinheiros”. A Cia. City de São Paulo, comprou o imóvel em 1912 e doou à municipalidade, em 1944, a área que incluía a edificação conhecida então como a “Casa Velha do Butantã”. Após a doação o imóvel permaneceu sem definição de uso até o início dos anos 50.
Em 1953, a Comissão do IV Centenário de São Paulo torna-se responsável pela casa promovendo sua restauração, realizada pelo arquiteto Luis Saia e nela instalando a partir de 30 de outubro de 1955, um museu evocativo da época das bandeiras, com acervo próprio, a partir do recolhimento de móveis, utensílios e outros objetos históricos no interior de São Paulo, Minas Gerais e Vale do Paraíba. Acumulando simbolicamente ao longo dos anos identidades diversas, a Casa do Bandeirante está incluída, em caráter permanente, nos roteiros turístico-históricos da cidade, ícone de um passado histórico idealizado, espaço de crítica e contextualização de mitos e documento arquitetônico preservado
https://www.google.com/amp/www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/sobre-mcsp/casa-do-bandeirante/%3famp
- Museu Brasileiro da Escultura
Projetado pelo arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker 2006, Paulo Mendes da Rocha, o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), concluído em 1995, no bairro Jardim Europa, em São Paulo, é uma das obras mais emblemáticas da Arquitetura Contemporânea Paulistana.Com um volume semi-enterrado e com Jardins elaborados por Burle Marx, este edifício surgiu a partir da resolução de uma problemática, uma vez que a área que hoje pertence ao museu daria lugar a construção de um novo shopping center, acarretando na mobilização dos moradores que objetiveram impedir a construção. O terreno, então cedido pela prefeitura em regime de comodato à Sociedade dos Amigos do Jardim Europa (SAJEP) e a Sociedade de Amigos dos Museus (SAM) para o planejamento de um equipamento cultural aberto à comunidade, deu origem a idealização de concurso fechado para o projeto do novo museu, tendo a proposta de Mendes da Rocha como vencedora.
A capela fica em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Suas paredes de vidro permitem que o público admire a paisagem da região.As sombras quase não deixam ver o único pilar central do edifício. A laje de cobertura parece se apoiar apenas nos caixilhos dos vidros alinhados ao seu perímetro irregular. A altura visível da laje é similar à altura livre do nível de entrada: dois metros e cinco centímetros versus dois metros e vinte centímetros, respectivamente. A massa de concreto armado aparente sobre uma retícula envidraçada.
O edifício posiciona-se num desnível de três metros. Entra-se pela parte mais alta, onde os planos de vidro têm menos altura. A laje emoldura as montanhas ao fundo. Do lado oposto, na parte inferior do desnível, os planos transparentes descem até o solo, e definem o piso interior do edifício: um espelho d’água contínuo. A relação com o peso da laje se modifica. Uma retícula transparente que pousa sobre a água.
- Projeto para cobertura da Galeria Prestes Maia, Praça do Patriarca
O pórtico foi feito a partir de uma parceria da Associação Viva o Centro e a Prefeitura de São Paulo que buscavam revitalizar a região. Antes, o local funcionava como um terminal de ônibus. A estrutura conecta o centro velho com o novo, em São Paulo. Esta obra, concebida por Paulo Mendes da Rocha surgiu de uma parceria entre a Associação Viva o Centro e a prefeitura de São Paulo com o objetivo de revitalizar o centro paulistano. Mas dez anos e quatro administrações separaram projeto de execução. O espaço tem pouco mais de um século e foi aberto com a demolição de um quarteirão e conecta o centro novo com o velho.
Abaixo da praça há uma galeria construída na década de 40 que abriga salas de exposição e serviços públicos e funciona como passagem entre o centro velho e o vale do Anhangabaú. Antes da reforma, a praça havia sido invadida por ônibus urbanos que fizeram dela sua parada. A proposta do arquiteto previa duas construções, das quais só a nova cobertura para a entrada da galeria Prestes Maia foi executada. A segunda iria transformar o viaduto do Chá em uma gare para ônibus.
Um piso em mosaico delimita a praça que com a retirada dos ônibus teve seu amplo espaço cedido aos pedestres. O arabesco de mosaico português foi reconstituído com o auxilio de montagens de fotos e é cortado em uma das laterais por uma baia para veículos de carga e descarga, táxis, ônibus turísticos, etc. A cobertura consiste em um pórtico metálico que vence 40 metros de vão, marcando os limites entre o centro velho e o novo, de dentro para fora da galeria.
A estrutura da peça é esbelta, formando uma casca que é composta por nervuras internas (semelhantes à asa de um avião) recobertas por chapas metálicas. Ela é apoiada em dois trechos e travada por tensores para não pender. Na parte baixa, uma calha capta a água das chuvas. Só a execução da estrutura levou nove meses, entre fundações, pórtico e por fim a casca. A sensação que ela passa ao pedestre é de um vazio coberto, espaço aberto, mas construído que oferece abrigo e sombra.
https://www.anualdesign.com.br/saopaulo/projetos/1240/reforma-praca-do-patriarca/
Mendes da Rocha foi responsável pela reforma do prédio neoclássico em São Paulo originalmente projetado por Ramos de Azevedo em 1805
Com uma coleção de 11 000 peças, a Pinacoteca é a mais antiga instituição cultural da cidade, divididos entre o prédio principal – no Parque da Luz – e a Estação Pinacoteca. Instalada desde 1905 num prédio assinado pelo escritório de Ramos de Azevedo, a Pinacoteca expõe a maior narrativa da história da arte em um só local: por ali, estão 700 obras espalhadas em 2 000 metros quadradoa, com peças marcantes entre os séculos XVIII e XX, chegando até os anos 1970. Também são apresentadas mostras temporárias. No Jardim da Luz, localizado ao lado do prédio, estão esculturasdo acervo, além de um restaurante e café. Com o ingresso em mãos, também é possível visitar a Estação Pinacoteca.
https://www.google.com/amp/s/vejasp.abril.com.br/estabelecimento/pinacoteca/amp/
https://www.google.com/amp/s/casavogue.globo.com/amp/Arquitetura/Gente/noticia/2018/10/paulo-mendes-da-rocha-principais-obras-do-arquiteto.html
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